Wi-Fi não está no cardápio, mas é cobrado

Um tempo atrás, donos de alguns cafés tiveram uma brilhante idéia: se eles colocassem revistas para seus clientes folhearem, as pessoas que estivessem sozinhas se distrairiam enquanto tomavam o seu café e se estivem confortáveis, embarcados na leitura, até poderiam pedir um outro café ou algo para comer. Pois o tempo passa e a fome bate no estômago.

Pois bem, eis que alguns administradores, interpretaram erroneamente o sentido das revistas e seguiram o seguinte raciocínio: “Puxa, as revistas em cafés estão fazendo sucesso. Vou começar a vender.” – Claro, talvez também ele estive estimulado em combater o sumiço de algumas poucas revistas, mas ele acabou prejudicando sua clientela inteira. Não apenas ao deixar de prover um serviço que era gratuito, mas também de gerar fidelização pelo bem-estar. Mesmo que ele de fato vendesse as revistas com frequência, a pessoa estaria livre para levar sua publicação para casa e não precisaria mais pedir cafés para terminar de ler a reportagem. O dono do estabelecimento simplesmente deixou de ter como atrativo um ambiente gostoso de uma clientela fiel para se tomar café e passou a ter como fonte de renda complementar a venda de revistas, que concorria com qualquer banca de jornal – e não fidelizava nada.

Esse mesmo tipo de comportamento ganancioso dos administradores se repete em cafés, bares e restaurantes. Ao invés de prover a internet Wi-Fi como um serviço gratuito, eles passam a cobrar – inibindo o número de potenciais clientes dispostos a usar o serviço.

Eles simplesmente ignoram o fato de que quanto mais tempo o cliente ficar navegando livremente no estabelecimento, mais fome e sede ele terá, e a possibilidade de marcar um encontro com alguém naquele local aumenta.

Talvez esses administradores estejam receosos de que da mesma forma que há quem surrupie a revista, comece a frequentar um pessoal apenas para usar o local como uma lan house gratuita. Talvez ainda não perceberam que essa possibilidade é vantajosa, pois essas pessoas costumam ter vergonha na cara e navegar rapidamente com um objetivo em mente, como checar o e-mail. E quando ela for embora,  ao contrário da revista sumida, a internet continuará lá. Caso a navegação esteja interessante, e o “bicão” se demore,  a fome a sede vão chegar, e temos um novo cliente conquistado.

Algumas máximas do marketing não falham, mas parecem não serem postas em práticas: lucro a longo prazo vem cliente satisfeito.

Também está mudando uma pequena mudança de público-alvo que talvez ainda não foi percebido. Quando o Wi-Fi se tornou popular e começaram a surgir os hotspots em establecimentos comerciais,  esses eram pagos pois os que mais usariam eram os mais abastados executivos com seus Notebooks. Agora a nova geração de celulares já permite navegar com a internet no celular – ou seja o público utilizador de Wi-Fi se torna maior, mais jovem e não tão abastado financeiramente quanto há alguns anos.

Cada vez mais, cobrar pela internet Wi-Fi será tão absurdo quanto cobrar (diretamente) pelo uso do banheiro ou o guardanapo utilizado.


Edison   |  Conexão à Internet, Mobilidade, Sociedade   |  10 2nd, 2009    | 

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